
Gestalt e as Forças que Influenciam nossa Percepção Visual
Em 1910, Wertheimer deu origem a uma escola alemã de psicologia experimental - chamada Gestalt - que desenvolveu muitos estudos relacionados principalmente à área da percepção visual. Além de Wertheimer, também é possível nomear Wolfgang Kohler e Kurt Koffka como colaboradores/participantes no desenvolvimento das obras e estudos realizados pela Gestalt.
A Gestalt procurou combater a ideia da psicologia clássica (atomista ou associacionista) de que a percepção da forma era uma consequência da soma de sentimentos separados. Por efeito desse ponto de vista, os atomistas se apoiavam no fato da anatomia cerebral ser composta por várias fibras nervosas separadas para tentar justificar suas concepções.
Apesar de a psicologia clássica ter dominado por muito tempo, ela enfrentava um problema por não conseguir encontrar respostas para o fenômeno da ilusão óptica. Em contrapartida, Wertheimer partilhou seus estudos e mostrou evidências de que “o que acontece no cérebro não é idêntico ao que acontece na retina”, fortalecendo suas teorias sobre o fenômeno da percepção.
Fenômeno Phi:
Em 1912, Wertheimer divulgou um estudo em que dois estímulos estáticos eram apresentados de forma isolada e controlados por um intervalo de tempo constante. Apesar dessas características, os indivíduos que fizeram parte dessa dinâmica conseguiram experimentar a sensação de movimento e unicidade dos elementos.
Na visão clássica, o fenômeno Phi (sensação de movimento) ocorre através da identificação do objeto em diferentes locais continuamente. Por outro lado, Wertheimer compreendia que o indivíduo primeiro captava a experiência do todo, interpretando o movimento, ao invés de observar o objeto em diferentes lugares a cada momento.
Durante o estudo das forças que comandam a nossa percepção visual, buscando esclarecer o “por que vemos as coisas como as vemos”, Koffka (1935) fragmenta-as em: externas e internas.
Forças externas:
São formadas pelos incentivos provocados na retina devido à luz que deriva do objeto contemplado.
Forças Internas:
São aquelas que arrumam as formas percebidas pelas forças externas. Essas, conforme a suspeita da Gestalt, são provenientes do dinamismo cerebral provocados pela conformação do cérebro.
Além disso, as forças internas obedecem à algumas “leis gerais”* que revelam o motivo de observarmos as coisas de um jeito ou de outro. São elas:
* padrões, observados nos diversos experimentos feitos durante as pesquisas a respeito da percepção visual
Segregação e Unificação:
As forças de segregação dizem respeito à capacidade de percepção e divisão de elementos/informações “distintas” dentro de uma mesma estrutura (figura 1). Por outro lado, as forças de unificação (ou forças de coesão) derivam da habilidade de captar elementos/informações “parecidas” dentro de uma mesma estrutura (figura 2).
Figura 1 — Força de Segregação

Fonte: disponível em: <https://designculture.com.br/leis-da-gestalt-unidade-e-segregacao>. Acesso em 12 fev. 2022.
Figura 2 — Força de Unificação

Fonte: disponível em: <https://designculture.com.br/leis-da-gestalt-unidade-e-segregacao>. Acesso em 12 fev. 2022.
Fechamento:
As forças de fechamento devem-se ao fato de tentarmos unir espaços e criar ligações entre as partes (figura 3).
Figura 3 — Força de Fechamento

Fonte: disponível em: <https://ziho.wordpress.com/2012/03/12/design-2/>. Acesso em 12 fev. 2022.
Sequência:
As forças de sequência também são conhecidas como “Boa continuidade”. Através dela conseguimos apreender de que maneira os elementos vão manifestar-se (figura 4).
Figura 4 — Força da Boa continuidade

Fonte: FRACCAROLI, 1952. p. 19
Proximidade e Semelhança:
A proximidade, como o próprio nome sugere, ocorre com o agrupamento de elementos visuais que estejam próximos, conseguindo ser compreendido como uma unidade (figura 5). Já a semelhança, ocorre devido ao compartilhamento de características parecidas, seja de forma ou até mesmo cor (figura 6).
Figura 5 — Força de Proximidade

Fonte: disponível em: <https://www.significados.com.br/gestalt/>. Acesso em 12 fev. 2022.
Figura 6 — Força de Semelhança

Fonte: disponível em: <https://www.significados.com.br/gestalt/>. Acesso em 12 fev. 2022.
Pregnância da forma:
Essa também pode ser chamada força estrutural e tem sido compreendida como a força capaz de incorporar todas as outras citadas até o momento.
Wertheimer apresentou um exemplo curioso envolvendo a pregnância no percebimento das cores (figura 7). A imagem de uma “bandeira” dividida em duas cores - vermelho e verde - e com um anel circular aparentemente cinza, ao ser “partida” no meio com uma agulha e deixando um semi-círculo em cada parte da bandeira nos fazia perceber que os semi-círculos, na verdade, refletiam as cores do seu lado oposto.
Figura 7 — Força de Pregnância: Anel Circular

Fonte: disponível em: <https://image.slidesharecdn.com/aula3designgrafico-110320125932-phpapp02/95/aula3-designgrafico-32-728.jpg?cb=1300626006>. Acesso em 13 fev. 2022.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FRACCAROLI, C. A Percepção da Forma e sua Relação com o Fenômeno Artístico. São Paulo: FAUUSP, 1952.
CASTRO, Thiago Gomes; GOMES, William Barbosa. Fenomenologia e Psicologia Experimental no Início do Século XX. [S. l.], 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/C534dxR8vvDt4HkrPFD9PMR/?lang=pt&format=html. Acesso em: 11 fev. 2022.
TELES, Thiago. Porque vemos as coisas como as vemos? (Parte 2 de 2): Um estudo sobre as forças que regem a percepção visual. [S. l.], 2017. Disponível em: https://blackfrt.medium.com/porque-vemos-as-coisas-como-as-vemos-parte-ii-5c166ae2765e. Acesso em: 11 fev. 2022.